Moro numa cidade
De exuberante beleza
Do povo às casinhas
Das alegrias às tristezas,
Mas o que me encanta mais
É a força da natureza
Vai em dando uma certeza
De que aqui é meu lugar
Bom pra se viver
Pra ver a cria crescer
Ou pra descansar o olhar
E cada dia eu quero mais
Ser parte dessa paz
E aproveitar tudo que há
Gosto de ver passar,
Tanto carro, quanto pessoa
Passando pela vida,
Passeando pela lagoa
Eu e a simplicidade
Coabitamos a mesma cidade
E a vida me lembra que é boa.
Sorrir ao a Lagoa olhar
Me transborda de amor
Como se fosse um feitiço
Dando à vida mais sabor
Gosto do tremido do frio
E de derreter no calor
Só me dá um amargor
Isso de somente olhar
Parece paixão platônica
Sem espaço pra amar
Essa vontade que não passa
De correr de desde a praça
E na lagoa me jogar
E, finalmente, poder nadar
Mais que ver, usufruir
Andar de barco, se divertir
Poder beber e mergulhar
Viver a completa magia,
Ainda mais eu iria
Por essa cidade me apaixonar
Mas... Não dá.
E eu fico inconformada
Como foi que a gente
Se meteu nessa cilada?
A água que já foi santa
Hoje está envenenada
E a gente não pode nada!
Nada, nada, nem nadar!
Que bonito que seria
Não ter medo de entrar
Ver um tanto de barquinho
E também uns pedalinhos
Pro meu povo passear
Eu me pego a imaginar
Nos tempos que havia um senhor
Seu Raimundo, um homem trabalhador
Que sem medo e sem demorar
Atravessava pra escola
As crianças com amor
Me causa um fervor
Me botar pra imaginar
A lagoa limpa e plena
Com barcos a boiar
Sendo meio de transporte
Maior incentivo ao esporte
Sem limites pra sonhar
E por isso o meu versar
É tão cheio de intento,
Como poeta eu até aumento
Mas cê sabe, eu não invento
Olhando agora pra lagoa
Vou parar por um momento.
E já explico a tempo:
É uma pausa pra agradecer
E deixar registrado
Aqui meu parecer
De quem me deu essas histórias
E buscou nas memórias
Esses “causos” pra me oferecer
Como a história de um tal
Farmacêutico famoso
Conhecido por ter tido
Um elixir poderoso
Capaz de poder curar
Qualquer vírus danoso
E o povo vinha da roça
Pro tal elixir comprar
O problema é que no caminho
Também tinha um bar
E os pais a esperar
O profissional se revelar
Eram tomados pelo tédio
Acabavam bebendo o remédio,
Deixando o dinheiro por lá.
E pra casa poder voltar
Sem arrumar briga com a mulher,
Não foi quem disse isso,
Pergunte a quem souber:
Enchiam um frasco com água da lagoa
Que na época era tão boa
Virava xarope na colher.
E venha o cético que quiser
Pra mim, essa água protetora
Exala uma energia
Que é tão acolhedora
Que eu posso jurar
Mesmo sem nunca provar
Que essa água é curadora
Você sabia que outrora
Num tempo não tão longe assim
Que já fizeram uma praia
Tinha até um trampolim
Por isso esse manifesto:
Isso pra mim é o progresso
A água limpa, pra você e pra mim
Imagina assim:
Todo mundo feliz nadando
Tudo com muita segurança
Com salvas-vidas olhando
Sem nenhuma neurose
Sem medo de xistose
Ou de sairmos nos coçando
O meu povo celebrando
Uma vida feliz e honesta
Todo mundo comemorando
Família rica ou modesta
Esse simples manifesto
Sem efeito indigesto
Se tornaria uma Manifesta!
E por aqui que se encerra
O que eu queria fazer
Deixei meu ponto exposto
Não dá mais pra esclarecer
O tamanho da minha tristeza
Por esse sentimento de não pertencer
Olhar essa lagoa tão linda
Que tem tanto a me dizer
Esperança que não finda
de um dia eu ainda
por completo poder dizer:
os poderosos ouviram minha pauta
e aqui nada mais falta:
que aqui sim é um bom lugar pra se viver!

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