terça-feira, 12 de abril de 2022

Manifesto da Lagoa limpa

Moro numa cidade

De exuberante beleza

Do povo às casinhas

Das alegrias às tristezas,

Mas o que me encanta mais

É a força da natureza


Vai em dando uma certeza

De que aqui é meu lugar

Bom pra se viver

Pra ver a cria crescer

Ou pra descansar o olhar

E cada dia eu quero mais

Ser parte dessa paz

E aproveitar tudo que há


Gosto de ver passar,

Tanto carro, quanto pessoa

Passando pela vida,

Passeando pela lagoa

Eu e a simplicidade

Coabitamos a mesma cidade

E a vida me lembra que é boa.


Sorrir ao a Lagoa olhar

Me transborda de amor

Como se fosse um feitiço

Dando à vida mais sabor

Gosto do tremido do frio

E de derreter no calor


Só me dá um amargor

Isso de somente olhar

Parece paixão platônica

Sem espaço pra amar

Essa vontade que não passa

De correr de desde a praça

E na lagoa me jogar


E, finalmente, poder nadar

Mais que ver, usufruir

Andar de barco, se divertir

Poder beber e mergulhar

Viver a completa magia,

Ainda mais eu iria

Por essa cidade me apaixonar


Mas... Não dá.

E eu fico inconformada

Como foi que a gente

Se meteu nessa cilada?

A água que já foi santa

Hoje está envenenada


E a gente não pode nada!

Nada, nada, nem nadar!

Que bonito que seria

Não ter medo de entrar

Ver um tanto de barquinho

E também uns pedalinhos

Pro meu povo passear


Eu me pego a imaginar

Nos tempos que havia um senhor

Seu Raimundo, um homem trabalhador

Que sem medo e sem demorar

Atravessava pra escola 

As crianças com amor


Me causa um fervor

Me botar pra imaginar

A lagoa limpa e plena

Com barcos a boiar

Sendo meio de transporte

Maior incentivo ao esporte

Sem limites pra sonhar


E por isso o meu versar

É tão cheio de intento,

Como poeta eu até aumento

Mas cê sabe, eu não invento

Olhando agora pra lagoa

Vou parar por um momento.


E já explico a tempo:

É uma pausa pra agradecer

E deixar registrado

Aqui meu parecer

De quem me deu essas histórias

E buscou nas memórias

Esses “causos” pra me oferecer

Como a história de um tal

Farmacêutico famoso

Conhecido por ter tido

Um elixir poderoso

Capaz de poder curar

Qualquer vírus danoso


E o povo vinha da roça

Pro tal elixir comprar

O problema é que no caminho

Também tinha um bar

E os pais a esperar

O profissional se revelar

Eram tomados pelo tédio

Acabavam bebendo o remédio,

Deixando o dinheiro por lá.


E pra casa poder voltar

Sem arrumar briga com a mulher,

Não foi quem disse isso,

Pergunte a quem souber:

Enchiam um frasco com água da lagoa

Que na época era tão boa

Virava xarope na colher.


E venha o cético que quiser

Pra mim, essa água protetora

Exala uma energia

Que é tão acolhedora

Que eu posso jurar

Mesmo sem nunca provar

Que essa água é curadora


Você sabia que outrora

Num tempo não tão longe assim

Que já fizeram uma praia

Tinha até um trampolim

Por isso esse manifesto:

Isso pra mim é o progresso

A água limpa, pra você e pra mim


Imagina assim:

Todo mundo feliz nadando

Tudo com muita segurança

Com salvas-vidas olhando

Sem nenhuma neurose

Sem medo de xistose

Ou de sairmos nos coçando


O meu povo celebrando

Uma vida feliz e honesta

Todo mundo comemorando

Família rica ou modesta

Esse simples manifesto

Sem efeito indigesto

Se tornaria uma Manifesta!


E por aqui que se encerra

O que eu queria fazer

Deixei meu ponto exposto

Não dá mais pra esclarecer

O tamanho da minha tristeza

Por esse sentimento de não pertencer

Olhar essa lagoa tão linda

Que tem tanto a me dizer

Esperança que não finda

de um dia eu ainda

por completo poder dizer:

os poderosos ouviram minha pauta

e aqui nada mais falta:

que aqui sim é um bom lugar pra se viver!



 

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